segunda-feira, 24 de junho de 2013

GESTÃO DE PESSOAS - A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE RECURSOS HUMANOS


Em 2007, quando cheguei para trabalhar na Gerência de Comunicação Internacional da Petrobras, no Rio de Janeiro, passei a fazer parte de uma equipe de 32 pessoas que, juntas, eram reponsáveis pelos Projetos Especiais no Exterior e pelas ações de Relacionamento Internacional. Entre outros projetos, éramos responsáveis pelas feiras internacionais, ações promocionais fora do país, e ações de relacionamento com investidores, como por exemplo: a Fórmula 1, onde os investidores eram convidados para assitirem à corrida nos “paddocks” - local privilegiado em cima dos boxes e com acesso ao mais íntimo convívio com pilotos, mecânicos e toda a equipe da Fórmula 1, para que, nesse ambiente menos formal, pudessem fazer negócio e fazer girar a grande roda mundial.
Para que todos os projetos especiais e ações de relacionamento com clientes dessem certo, precisávamos estar bastantes sintonizados, cada um na sua tarefa específica, mas todos em prol de um único objetivo: o de realizar um trabalho competente, seguro, cuidadoso e que trouxesse frutos para a Petrobras, consequentemente para o Brasil.
Éramos uma gerência independente, pois possuíamos nosso próprio departamento financeiro, uma vez que lidávamos com moedas do mundo todo e formatos distintos de cobrança e controle. Eu fazia parte deste grupo específico. Um grupo de 5 pessoas que, sob a minha responsabilidade, ficavam a cargo dos recebimentos, pagamentos, autorizações financeiras e todo o apoio necessário para a área administrativa dessa gerência.
Éramos um elo importante para que tudo funcionasse perfeitamente. Mas nem sempre foi assim… Logo que cheguei pra fazer parte do grupo, não haviam procedimentos sistematizados, controles periódicos, métodos aplicados para que tudo funcionasse da maneira que deveria. Notas fiscais e documentos de cobrança internacionais eram constantemente perdidos, prazos não eram cumpridos, reclamações de todo tipo, dos parceiros internos e por parte dos nossos fornecedores e clientes no exterior.
A minha chegada foi um choque para aqueles que não estavam acostumados a trabalhar de maneira sitemática, com organização e procedimentos de controle bastante rígidos. Muitos atritos foram causados entre os membros do grupo. Para os que sentiam a necessidade de trabalhar de maneira organizada, foi um grande alento e neles fiz aliados. Para os que não tinham disciplina para trabalhar dessa maneira, ou porque simplesmente desconheciam tal formato, encontrei barreiras bem difíceis de transpor.
Assumir uma chefia, onde os membros do grupo já estão lá por muito tempo e acostumados com o que faziam, não é nada fácil. Assumir a missão de reverter um placar negativo e mudar procedimentos, piora ainda mais as coisas. Fazer isso sem os devidos esclarecimentos… é o caos total. Embora tivesse o apoio dos meus chefes, a tarefa não foi das mais fáceis. O chefes eram três homens fortes, com mais de 25 anos de casa, que não chegaram ali facilmente e, quando assumiram suas gerências, não estavam dispostos a perdê-las por qualquer coisa. Afinal de contas, também foram vítimas da desorganização e sofreram penalidades ao longo da carreira. Mas, dessa vez, estavam dispostos a mudar o quadro e serem referência na Casa.
Por alguns meses, tivemos dificuldade para diagnosticar os “furos” no fluxo de trabalho, mas com a ajuda dos aliados e dos que tinham boa vontade, conseguimos identificar os pontos críticos e aplicar técnicas para atigirmos o objetivo de ser a gerência com excelência nas suas atividades e melhorar os processos internos de trabalho.
O projeto foi implantado com sucesso!! Entretanto, tivemos que lidar com pessoas infelizes e dispostas a sabotar todo o esforço de poucos, dentre eles o meu. Estava declarada a crise no grupo. Pessoas que antes se davam super bem, embora o trabalho fosse falho, agora tinham os meios para um trabalho mais preciso, mas não se relacionavam mais como antes. Muitos conflitos pessoais, muita cara feia, insatisfação, desmotivação, descomprometimento. Se já era difícil antes, agora ficou pior quando o grupo, insatisfeito, teve que se submeter a regras que nem sempre se adequavam às suas necessidades e nem aos costumes de todos.
Diante do quadro, nosso gerente geral, um dos três chefes, entendeu que estava na hora de propor um trabalho em grupo, com o objetivo de promover a paz e o entendimento comum daquela mudança tão importante para o conjunto harmonioso daqueles 32 integrantes da Gerência de Comunicação Internacional.
Ele se articulou e logo fomos avisados que passaríamos 4 dias num hotel em Búzios, para participarmos de uma dinâmica de grupo, onde todos seriam despidos de hieraquias, tempo de casa, diferenças curriculares, salariais, etc, e ficaríamos “internados” naquele paraíso dos trópicos e de lá só sairíamos sãs e salvos do mal-estar que estava entre nós.
Os profissionais de Recursos Humanos da Fundação Dom Cabral foram os nossos guias nesses 4 dias de imersão no programa de Desenvolvimento de Líderes e Gestores, que apresentou as bases para o processo de autocohecimento, propiciando a gestão de si e oferecendo subsídios para liderar, transformando grupos em equipes de alta performance, que era o nosso desejo.
Participamos de várias dinâmicas em grupo, em duplas, em times e tivemos a oportunidade de conhecer melhor o outro e aprender sobre nós mesmos. Fomos envolvidos por uma atmosfera onde o que importava não era o o resultado pelo resultado, mas sim o resultado compartilhado, percebido com a devida importância e relevância para todo o grupo e não só para atender a um numerário estatístico. Lidar com números é fácil, lidar com pessoas exige um desprendimento de si e mais empatia nas relações.
Descobrimos nesse trabalho que todos compartilhavam e louvavam as novas ideias, metodos e procedimentos implantados na gerência. Que todos ali estavam, há tempos, esperando por algo assim, para que facilitasse o trabalho comum e melhorasse os resultados. Mas discordavam da maneira como foi implantado, introduzido no grupo de trabalho. No início, ninguém entendeu o meu papel ali. Achavam que eu tinham chegado para fiscalizar com o intuito de punir aqueles que não estavam fazendo o “serviço” direito. Se sentiram acuados. Os que conseguiram enxergar além disso, logo se aliaram, mas a maioria não viu dessa forma e se retraiu, sendo, em alguns momentos, contra todo o processo de mudança e se voltando contra todos que apoiavam a transição.
Com o trabalho de dinâmica feito pelos profissionais de RH percebemos que, muitas vezes, basta mudar o tom de voz, o volume, a postura ao falar, a forma de falar. Que é preciso deixar sempre muito claro o objetivo de qualquer ação feita ou proposta em grupo, pois o que transforma o grupo em equipe é a sua diversidade e o entendimento do todo e do objetivo comum a ser alcançado. Trabalhar em equipe exige mais habilidades, mas trabalhar em equipe também pode ser mais produtivo, porque as pessoas se complementam em seus conhecimentos, habilidades e experiências. Temos a tendência de evitar trabalhar em equipe, ora porque no convívio nos expomos mais, ora porque a equipe faz emergir nas relações tensão, ciúme, conflito, desconfiança, inveja, afeto, carinho, apoio etc. Não estamos preparados para isso, precisamos de treinamento. Onde existem cabeças pensantes, existirão ideias, opiniões, percepções diferentes, e isso já por si é gerador de conflito. Desse modo, não necessariamente devemos ver o conflito como algo ruim e terrível. Com a ajuda de profissionais especializados em GENTE, podemos ver com naturalidade este fenômeno. A dificuldade não está na emergência do conflito e, sim, na sua má administração. Quando o poder é compartilhado, o que é o caso do trabalho em equipe, no geral as pessoas sentem-se responsáveis pelo resultado e engajam-se no processo. Há, aí, um componente de cumplicidade. As pessoas sentem-se motivadas. E foi nesse momento que todos entenderam, que ficou claro para todos que precisávamos daquelas mudanças, não só nos procedimentos, mas também no nosso comportamento.
Nosso modelo de gestão foi premiado por dois anos consecutivos enquanto ainda trabalhava lá. Todo o proceso foi implantado e até replicado para outras gerências. Todos os fluxos de trabalho passaram a dar mais resultado a partir do momento em que, enquanto grupo, entendemos o objetivo comum de toda aquela ação e, enquanto equipe, nos permitimos mudar nosso comportamento em prol de algo que nos beneficiaria plenamente.
Tarefa difícil, mas possível se for bem conduzida pelo profissional de Recursos Humanos.

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